A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 ganha força no Brasil, impulsionada por um estudo do Ipea que aponta uma significativa disparidade salarial entre trabalhadores de jornadas de 44 e 40 horas semanais. Paralelamente, uma enquete busca medir a opinião pública sobre a proposta de extinção desse modelo.
Disparidade Salarial Evidenciada por Estudo
Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que trabalhadores celetistas que cumprem 44 horas semanais ganham, em média, 58% menos do que aqueles com jornadas de 40 horas. Os dados, baseados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), indicam que a média salarial para quem trabalha 44 horas é de R$ 2.627,74, enquanto para quem trabalha 40 horas, a média atinge R$ 6.211,16.
- Trabalhadores de 44 horas semanais recebem, em média, R$ 2.627,74.
- Trabalhadores de 40 horas semanais recebem, em média, R$ 6.211,16.
- A diferença salarial chega a 58%.
O estudo também aponta que cargos com maior carga horária tendem a ter maior rotatividade e menor duração. Além disso, o recorte racial mostra que a população negra é maioria nas jornadas mais longas e minoria nas jornadas de 40 horas, recebendo salários inferiores.
Propostas e Debates no Congresso
O tema da jornada de trabalho tem sido amplamente debatido na Câmara dos Deputados. Atualmente, duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) tramitam com o objetivo de limitar a jornada semanal para 36 horas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou um projeto de lei em regime de urgência para limitar a jornada a 40 horas semanais, sem reajuste salarial.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) é uma das articuladoras da proposta de redução para 36 horas, que já teve sua admissibilidade aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No entanto, a medida enfrenta resistência de partidos de extrema-direita, que declararam intenção de obstruir o avanço dos projetos.
Opinião Pública em Foco
Enquanto o debate legislativo avança, a Gazeta do Povo lançou uma enquete para coletar a opinião pública sobre a proposta de acabar com a escala 6×1. A medida é considerada sensível e necessita de mais discussões com o setor produtivo, segundo parlamentares.
Fatores que Influenciam a Disparidade
O estudo do Ipea sugere que a baixa escolaridade e qualificação profissional são fatores que contribuem para a disparidade salarial. Profissões que exigem menor formação formal, como mecânicos, operadores de máquinas, trabalhadores agropecuários, vendedores e atendentes, concentram a maioria das jornadas acima de 41 horas semanais. Em contrapartida, profissionais com ensino superior completo tendem a ter jornadas mais curtas.
Impacto Econômico da Redução da Jornada
A pesquisa também analisou o impacto da redução da jornada de trabalho no custo do emprego. A diminuição da carga horária de 44 para 40 horas semanais pode elevar o custo médio em até 7,84%. Setores intensivos em mão de obra, como serviços de vigilância e limpeza, e o comércio e a indústria, seriam os mais afetados. Contudo, o estudo indica que os setores produtivos têm capacidade de absorver esses aumentos, com atenção especial a algumas áreas econômicas.
Fontes
- você é a favor do fim da escala 6×1?, Gazeta do Povo.
- Trabalhadores da escala 6×1 ganham, em média, 58% a menos que os da 5×2, Alma Preta Jornalismo.
- quem trabalha 44h por semana ganha, em média, 58% menos que quem cumpre 40h, aponta estudo, O GLOBO.
