A proposta de fim da escala de trabalho 6×1, que permite trabalhar seis dias e folgar um, está gerando intensos debates e preocupações em diversas regiões do Brasil, especialmente em cidades como Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Se aprovada, a mudança pode afetar significativamente milhares de trabalhadores e empresas, alterando a dinâmica do mercado de trabalho e gerando incertezas sobre os custos e a viabilidade dos negócios.
Principais Pontos
- A potencial aprovação do fim da escala 6×1 pode impactar mais de oito mil empregados e cerca de mil empresas em Passo Fundo.
- A proposta visa limitar a jornada de trabalho a oito horas diárias ou 40 horas semanais, com direito a dois dias de descanso remunerado.
- Enquanto trabalhadores veem a mudança como benéfica para o bem-estar, empresários temem o aumento de custos operacionais.
- Deputada Helena Lima defende a flexibilização e a decisão individual do trabalhador sobre sua escala, criticando propostas generalizadas.
Reflexos em Passo Fundo
Em Passo Fundo, a discussão sobre o fim da escala 6×1 ganha contornos específicos devido à legislação local que rege o horário do comércio. Atualmente, os estabelecimentos podem funcionar 24 horas, com empregados trabalhando 361 dias por ano e folgando apenas em quatro datas comemorativas. A vendedora Cassiele Rossi, 23 anos, exemplifica a rotina de muitos: "São quase duas horas a mais para pegar o ônibus. Então, são oito horas trabalhadas, seis vezes por semana e mais duas horas por dia de condução. É muito trabalho para pouca remuneração."
Divergências e Preocupações Empresariais
Enquanto os trabalhadores tendem a receber a proposta de forma positiva, buscando maior qualidade de vida e tempo para atividades pessoais, os empresários expressam receio quanto aos impactos financeiros. Celso Marcolan, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sincogêneros), alerta que a obrigatoriedade de dois dias de folga por semana pode exigir a contratação de até 10% mais funcionários. "Se aumentar a despesa nos mercados, com certeza vai aumentar o custo da mercadoria", afirma.
Visão Jurídica e Bem-Estar
Por outro lado, o advogado e professor Igor Rocha Tusset considera a aprovação benéfica, inserida em discussões históricas sobre direitos trabalhistas. Ele argumenta que a redução do volume de trabalho pode levar a um maior bem-estar, potencialmente diminuindo afastamentos por motivos de saúde física e psíquica. O Projeto de Lei 1838/26, que limita a jornada a oito horas diárias ou 40 semanais com dois repousos remunerados, sem redução salarial, aguarda votação.
Negociações Coletivas e Flexibilização
O futuro da escala de trabalho dependerá das negociações coletivas entre sindicatos de empregados e empregadores. José Melo de Freitas, assessor jurídico do Sindicato dos Lojistas (Sindilojas), vê esse momento como um teste para a maturidade das negociações. Paralelamente, a deputada federal Helena Lima defende a flexibilização das jornadas, argumentando que a decisão sobre a escala de trabalho deve ser do próprio empregado, considerando as particularidades de cada setor econômico, como aviação e transporte, que possuem dinâmicas distintas e não se adaptam a regras generalizadas.
